Casos de obesidade no SUS sobem 259% em dez anos, aponta Ministério
Publicado em 02/11/2026, às 21:00

O volume de brasileiros com obesidade acompanhados pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde, sofreu uma disparada expressiva. Os registros na Atenção Primária à Saúde do SUS saltaram de 3,09 milhões de adultos em 2016 para 11,12 milhões em 2026 — um crescimento de 259% no período.
O contingente representa 36,4% de toda a população adulta monitorada na rede pública. Quando somados aos 10,76 milhões de diagnósticos de sobrepeso, o excesso de peso atinge 71,5% (21,88 milhões de pessoas) dos assistidos pelo sistema. Pela primeira vez na série histórica, o número de indivíduos com obesidade superou o de pessoas em sobrepeso.
Desigualdades regionais e liderança gaúcha
Em 24 das 27 unidades federativas, a taxa de adultos com obesidade na atenção básica já ultrapassou o total de pessoas com peso considerado adequado. Em 18 estados, a proporção de pacientes acima do peso excede 70%.
O Rio Grande do Sul registra os indicadores mais críticos do país, com 42,6% dos acompanhados apresentando obesidade e 75,9% em excesso de peso. Na sequência das maiores taxas de excesso de peso geral figuram o Rio Grande do Norte (75,5%), Amapá (74,5%) e São Paulo (74,3%).
Gargalos na assistência e falta de protocolo unificado
Durante o XVI Congresso Latino-Americano de Obesidade, em Salvador, o endocrinologista Bruno Halpern, presidente da Federação Mundial da Obesidade e vice-presidente da Abeso, destacou as falhas estruturais no atendimento da rede pública.
Segundo o especialista, a assistência enfrenta obstáculos que vão da escassez de medicamentos à falta de capacitação das equipes. Como a cirurgia bariátrica é restrita aos casos mais graves — e marcada por longas filas regionais —, a maior parcela dos pacientes fica desprovida de opções terapêuticas.
Impactos à saúde e prevenção
A obesidade é classificada como uma doença crônica inflamatória multifatorial e está diretamente associada a mais de 240 complicações médicas, incluindo doenças cardiovasculares, diabetes e diversos tipos de câncer, além da redução da expectativa de vida.
Para frear a curva ascendente, especialistas reforçam a necessidade urgente de implementar redes de cuidado contínuo no SUS, unindo o desestímulo ao consumo de alimentos ultraprocessados com o acesso facilitado a tratamentos clínicos eficazes.
